
A ILHA DA SAUDADE
A mocidade é linda melodia,
De cujo terno canto não se esquece.
Se vai bem longe vira nostalgia,
Que não tem fim e quase sempre cresce.
Lembrança tal conosco faz porfia,
E nunca, em tempo algum, desaparece.
Se dá prazer também traz agonia,
Que fere alto e fundo quem padece.
O tempo vai rolando e nunca pára...
E agora os nossos olhos já cansados,
Cobertos de neblina tão amara,
Parecem uma ilha na verdade,
Pois ficam longamente assim cercados,
Das águas que despontam da SAUDADE!
Atibaia, 1º/7/66
Lázaro Siqueira
A mocidade é linda melodia,
De cujo terno canto não se esquece.
Se vai bem longe vira nostalgia,
Que não tem fim e quase sempre cresce.
Lembrança tal conosco faz porfia,
E nunca, em tempo algum, desaparece.
Se dá prazer também traz agonia,
Que fere alto e fundo quem padece.
O tempo vai rolando e nunca pára...
E agora os nossos olhos já cansados,
Cobertos de neblina tão amara,
Parecem uma ilha na verdade,
Pois ficam longamente assim cercados,
Das águas que despontam da SAUDADE!
Atibaia, 1º/7/66
Lázaro Siqueira
BARQUINHO DE PAPEL
Já sou desenganado navegante,
no mar bravio e alto da existência.
Meu barco não consegue ir avante,
e geme, e torce, e salta com freqüência.
Enormes vagas vão, a seu talante,
fendendo o meu barquinho, sem clemência.
E ele, o pobre, sempre vacilante,
trepida, range e pula com ardência.
O meu barquinho sobe, desce e treme,
empina, vibra e ruge com fragor,
até que perde, enfim, o próprio leme.
Assim a pique vai o meu batel,
a pique, assim, já foi o meu amor,
amor desfeito, barco de papel.
Jundiaí, 9/3/63
Lázaro Siqueira
BERENICE
Peleja longa, rija, crespa e dura,
Foi desde cedo minha pobre vida.
Lutei com fé, com tento e com lisura,
Topando mil tropeços na corrida.
Por perto andei na rua da amargura,
Os pés sangrando em cada arremetida.
Se tive um dia um pouco de ventura,
Deveu-se ao Bem que fiz com tanta lida.
Sou pobre mas ou dono dum tesouro,
Que pesa na balança com tal brilho,
Valendo algo mais que muito ouro.
Se pobre assim cheguei até a velhice,
Riqueza imensa tenho em cada filho,
Mormente na caçula Berenice.
Jundiaí, 1963
Lázaro Siqueira.
Peleja longa, rija, crespa e dura,
Foi desde cedo minha pobre vida.
Lutei com fé, com tento e com lisura,
Topando mil tropeços na corrida.
Por perto andei na rua da amargura,
Os pés sangrando em cada arremetida.
Se tive um dia um pouco de ventura,
Deveu-se ao Bem que fiz com tanta lida.
Sou pobre mas ou dono dum tesouro,
Que pesa na balança com tal brilho,
Valendo algo mais que muito ouro.
Se pobre assim cheguei até a velhice,
Riqueza imensa tenho em cada filho,
Mormente na caçula Berenice.
Jundiaí, 1963
Lázaro Siqueira.
Um comentário:
Quer mais?
Escrevi poemas nessa linha para as minhas netas e para meu neto. Quem sabe um dia quando não considerarem os escritos caretices se lembrem com um poucio de carinho desse avô, assim como você se lembra de teu pai
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